sexta-feira, 27 de julho de 2012

Sabedoria

Desde que tudo me cansa,
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança...
E venha a morte quando
Deus quiser.

Dantes, ou muito ou pouco,
Sempre esperara:
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
Voava das estrelas à mais rara;
Outras, tão pouco,
Que ninguém mais com tal se conformara.

Hoje, é que nada espero.
Para quê, esperar?
Sei que já nada é meu senão se o não tiver;
Se quero, é só enquanto apenas quero;
Só de longe, e secreto, é que inda posso amar. . .
E venha a morte quando Deus quiser.

Mas, com isto, que têm as estrelas?
Continuam brilhando, altas e belas.

José Régio 


(um dos - se não O - meu(s) poema(s) preferido do escritor) 

2 comentários:

Pérola disse...

Esta sabedoria que exclui a esperança, deixa-me desalentada.
Gosto de sonhar de pensar em realizá-los.
Já reparei que gostas muito de José Régio.
Beijinho
Um mestre.

M* disse...

Sim, Pérola, comecei a conhecê-lo há pouco tempo e estou a gostar bastante... espero que compartilhem do meu gosto pelas poesias dele (e prosas, que espero também partilhar, pelo menos, alguns trechos). Um grande mestre!
Beijos