quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

"Coração roubado"

Certas metáforas não deveriam sair de moda. Quando eu era criança, ainda se usava a expressão roubar o coração como sinônimo de seduzir e conquistar. Hoje em dia ninguém mais fala assim. A linguagem foi empobrecendo e com ela a nossa capacidade de exprimir sentimentos importantes.
A imagem do coração roubado parece apenas um clichê, mas ela captura o que há de essencial, involuntário e perigoso no ato de amar. Alguém que rouba o seu coração toma o controle dos seus sentimentos, tira você violentamente de si mesmo, carrega a sua alma com ele ou com ela. De forma muito clara, o tem nas mãos.
Isso não é algo a que a gente se entregue sem opor resistência.
Ser sequestrado emocionalmente pelo amor é coisa assustadora. A gente perde o controle e se torna dependente do outro de uma forma visceral. O que ele pensa, o que ele diz, a forma como nos olha, o dom da sua presença, que pode ser retirado a qualquer momento. Diante dessa ameaça à nossa integridade psíquica, o pedaço sóbrio e racional de nossa mente se encolhe apavorado. Ele antevê desastre, tombo, quebradura. Ter o coração roubado sempre nos traz um medo enorme. Por isso fugimos do sentimento e da situação, mesmo sem perceber.
Temos com o amor uma relação muito mais ambígua do que parece. Publicamente, todo mundo o deseja e procura. Intimamente, a conversa é outra. Temos dúvidas imensas. Entre um sentimento tranquilo que não parece amor e algo assustador que talvez seja, muitas vezes ficamos com o primeiro. Somos românticos de meia pataca. Não achamos que o sofrimento é sublime. Os românticos do século XVIII estavam dispostos a morrer pelo que sentiam. Achavam lindo. Nós também, nos filmes. Na vida real, queremos estar dispostos na manhã de segunda-feira para correr e trabalhar. Somos gente prática.
Um outro jeito de lidar com nossos medos é fingir que não estamos diante do amor. A moça está lá com o Fulano, louco por ela, numa relação bacana, intensa, mas não está segura sobre o que sente. Isso é muito comum. Como ela se atrapalha com os sentimentos, acha que nem gosta muito do Fulano. Tem fantasias constantes com outras situações, outras vidas, outros homens. Até o momento em que o Fulano, cansado da ambiguidade, arruma a trouxa e vai embora. Aí a confusão desaparece e ela descobre que ama da pior maneira possível: cai no sofrimento atroz do abandono, que provavelmente tentava evitar desde o início, por medo.
Esse é um desastre comum, um engano recorrente que acomete os homens com frequência ainda maior. Nós sempre achamos que a vida boa está lá fora. Faz parte da nossa cultura. Esse pensamento nos afasta dos sentimentos do presente e nos mantêm enclausurados numa fantasia indefinida de futuro. Quando desperta desse sonho pueril, o sujeito percebe que perdeu a mulher. Ela se desiludiu e foi embora. Então ele descobre que amava, mas é tarde. A mulher desiludida se torna inalcançável.
Sempre que alguém escreve este tipo de coisa, um outro alguém lerá da forma errada. Pensará naquele sujeito ou naquela mulher que não quer nada com ele ou com ela e concluirá, erroneamente: “Ah, está com medo de admitir que me ama. Está fugindo do que sente por mim”. Bobagem. Quem foge, evita, não volta, não liga e não dá atenção é porque está desinteressado. A confusão de que eu falo aqui acontece no interior de relações verdadeiras. Alguém, por alguma razão misteriosa para si mesmo, tenta não se vincular profundamente. Tem medo. Mas isso acontece depois do envolvimento, depois da atração e provavelmente pela intensidade da atração. Não é gente que transou um par de vezes e não quer mais atender o telefone. Isso é só desencontro e falta de educação.
O medo de amar é coisa mais séria e sutil. Talvez devêssemos procurar por ele em nós mesmos e nas pessoas com quem nos envolvemos. Sempre me lembro de um amigo que tinha uma namorada mas achava que não tinha. A moça estava lá o tempo inteiro, como parte da vida dele, mas ele insistia que aquilo não era sério. Quando a moça se desencantou e partiu, o mundo do cara veio abaixo. Claro. Ele estava apaixonado, mas, por alguma razão, queria imaginar que não era o caso. Quando o comportamento evasivo é recorrente, quando histórias como essa se repetem, talvez tenhamos medo de amar. Ou talvez estejamos lidando com uma pessoa que tem. O que se chama por aí de dedo podre pode ser apenas uma predileção inconsciente por gente incapaz de se entregar aos sentimentos.
Eu gosto da ideia de ter o coração roubado, mas percebo que já fui mais corajoso quanto a isso. Com o passar do tempo e o acúmulo de desilusões – quem não as tem? – a pessoa se torna mais cuidadosa. Sinto que hoje eu me protejo mais do que fazia no passado, e talvez haja nisso alguma sabedoria. Não se deve permitir que qualquer um nos roube o coração. Alguém que nos terá emocionalmente de joelhos deve ser digno desse privilégio. Que seja uma pessoa íntegra e generosa, ao menos. Que seja ela mesma capaz de amar. Quem nos rouba o coração não deveria ter o seu protegido à sete chaves. Acontece, mas não é justo.

texto original do site Época (globo.com), de Ivan Martins

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

"As circunstancias podem mudar a qualquer momento ...
Portanto, não despreze ou maltrate ninguém.
Você pode se sentir poderoso hoje, mas o tempo é mais poderoso que você."


É uma verdade absoluta e só quem já a sentiu na pele pode saber o quanto é real.
Durante este ano que passou (estamos quase no final de 2015) assisti passivamente às notícias que invadiram imensas casas em torno do mundo acerca de tantas mortes de inocentes, tudo por causa da sua religião, dinheiro ou só porque sim. Fora as sempre existentes violações, corrupções, violência doméstica, etc. Pergunto-me: se durante o ano inteiro toda a gente prefere tratar mal toda a gente, para que servem estas datas comemorativas que anunciam amor ao próximo, solidariedade, etc?
Honestamente, para mim o Natal já nada tem que valha a pena. No mundo onde reina a hipocrisia, as campanhas natalícias são desperdício de tempo e de dinheiro. As pessoas só se sentem bem a maltratar-se umas às outras. Há um certo prazer doentio em ver o próximo mal, caído, desgraçado. Crianças carenciadas recebem no Natal aquilo que mais querem...presentes...e no resto do ano, como é que são tratadas?!
Talvez o meu espírito natalício já esteja a desvanecer, mas a realidade é que já não consigo encontrar um motivo de alegria nesta altura do ano e é como o "nosso" papa Francisco diz "está a chegar o Natal e a humanidade ainda não percebeu o que é a paz". Será que alguma vez vai perceber?


domingo, 22 de novembro de 2015

"Porque as pessoas que são loucas o bastante para pensarem que podem mudar o mundo são as únicas que realmente podem fazê-lo."
Jack Kerouac

Concordo. Se pensarmos que conseguimos, conseguimos mesmo!

A kind of logic


É o que defendo: não devo ter pena de pessoas que nunca tiveram pena de mim. Mas não culpabilizo o mundo por aquilo que outros me fizeram. Presumo que "pessoas" como o Joker, maltratadas pela vida, deve ser isso que fazem... 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O dinheiro não traz felicidade, mas não é com felicidade que se paga um Lamborghini!



(Este é um Lamborghini Aventador LP 700-4, motor V12 de 6,5 L. Faz 0-100 km/h em 2,9 segundos e é simplesmente deslumbrante!)

Intemporal e estacionária

(by Quino)


sábado, 14 de novembro de 2015

Inveja

Uma serpente estava perseguindo um vaga-lume. Quando estava a ponto de comê-lo, o vaga-lume disse: "Posso fazer uma pergunta?" A serpente respondeu: "Na verdade nunca respondo a perguntas das minhas vítimas, mas, por ser você, vou permitir." Então, o vaga-lume perguntou: "Fiz alguma coisa a você?" "Não", respondeu a serpente. "Pertenço à sua cadeia alimentar?", perguntou o vaga-lume. "Não", respondeu a serpente de novo. "Então, por que você quer me comer?", perguntou o inseto. "Porque não suporto vê-lo brilhar", respondeu a serpente.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O dinheiro não é tudo, para ninguém !

(...)

É, é. Justamente, o que é que o dinheiro não pode comprar.
O dinheiro pode comprar uma percentagem muito pequena do que queremos. A nossa alegria, a nossa maneira de ser – que é o mais importante – não é o dinheiro que vai alcançar. Quando vivia com muito pouco dinheiro, na África dos Sul, era a happy person. Aproveitava aquele momento em que estava da melhor maneira. Quando me dizem: «Ah, em África era um homem rico, e agora, ai, ai ai...». So what? Em vez de estarem a perder energia, a pensar o que podia ter sido e não foi, turn the page e start a new one. O Horácio Roque e outros: perderam tudo na África.

Em 97, é verdade que teve um desaire?
Um desastre?

É verdade que perdeu uns milhões, é verdade que perdeu dinheiro?
Como é que podia perder dinheiro se tinha tanto? No fim do apartheid, quando cheguei ao meu objectivo, perdi o tesão da África do Sul. Parti para outra. E dei instruções aos meus advogados to sell at the best price.

Perdeu uns milhões ou não? O que quero saber é como reage quando perde. Neste caso, quando perde uns milhões.
Quando decido vender tudo at the best price, sabia que não queria continuar na África do Sul. Parto do princípio de que nada nos pertence. Nós viemos naked e com vida, e quando se vai, vai-se vestido, mas sem vida.

Blablabla.
Mas é verdade. Nem a nossa vida nos pertence. Estou aqui a falar contigo, de um momento para o outro dá-me uma coisa..., lá vai. So, what the fuck are you talking about? Dinheiro é bom, mas as pessoas que vivem só de atingir coisas materiais, é uma tristeza. É uma vida empty. Eu tenho uma vida full!

(...)


Entrevista com Joe Berardo no site anabelamotaribeiro (podem lê-la na totalidade se carregarem aqui)

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Após muitas horas de reflexão, interiorização de informação e aprendizagem relativa ao tema concluo:

Não se consegue ser um grande líder sem ter um bom coração.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Está quase, quase Leonardo ...

“Virá o dia em que a matança de um animal será considerada crime 
tanto quanto o assassinato de um homem." ´
Leonardo Da Vinci



...oxalá vivesses ainda hoje para poderes assistir a essa evolução.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O génio, esse poder que deslumbra os olhos humanos, não é outra coisa senão a perseverança bem disfarçada.
Johann Goethe

sábado, 10 de outubro de 2015

É a abertura hoje em dia...

Há pessoas que têm uma mentalidade muuuuuuito aberta, mas depois vêm com conversas do tipo: "Tu pediste-me o número, tu atiraste-te a mim. Tu queres ir comigo para a cama!"
Ora, bem vindos a Beirais!!

Melhor dar um rumo novo à minha vida

Eu sou da opinião que toda a gente deve aceitar-se a si próprio: uns são mais altos, outros mais baixos, outros mais bonitos, outros mais feios, etc. Há toda uma infinidade de escolhas em cada qual que devemos sempre ter em conta. Por isso, tenho que me mentalizar que, quer queira quer não, eu irei sempre atrair e sentir-me atraída pelas pessoas erradas. Sempre! Como tal, o melhor que tenho a fazer é aceitar esta situação e decidir-me de uma vez por todas a tirar um curso de psicologia. Ainda tinha pensado psiquiatria, mas é capaz de ser complicado dizermos à nossa cara metade "vá, amor, toma lá este comprimidinho aqui para hoje ficares mais feliz e ficares calminho. Vá, agora bebe este também para te sentires ainda mais feliz. Não amor, não te estou a enganar, pára lá de dizer que me queres matar", logo é melhor que tenha os pés bem assentes na terra.
O passo seguinte será começar a cobrar à hora...

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Entrevistas

Numa entrevista da TV:

- "Quem é a M.?"

- "É uma rapariga normal, que gosta de coisas normais que todas as raparigas normais gostam (...)"



(Prazer, M. És uma pessoa interessante, sem dúvida.)



Apoio moral sempre

Há aqueles momentos em que nos sentimos mais em baixo por causa de alguém. Geralmente alguém que foi muito importante na nossa vida e cujas lembranças ainda magoam. E nesses momentos é muito importante termos o apoio de uma pessoa amiga, capaz de reconhecer a falta que nos faz essa pessoa e o sentimento que nutrimos por ela:

"- Tenho saudades dele.

- Não sei porquê, ele não gosta de ti, nunca gostou de ti, nunca ia gostar de ti e só te fez isto e isto e aquilo e isto e mais isto e mais aquilo, logo ele nem sequer tem saudades tuas porque nem gosta de ti. E nem sequer devias pensar nele, porque ele nunca gostou de ti.

- ... "

(Não, eu nunca fico triste. É sempre bom termos um ombro amigo que nos lembra de como é feita a realidade)

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A Quinta (ou Como As Pessoas Nunca Aprendem)

Agora deparo-me com a existência de publicações a falar do programa da TVI :"A Quinta".
E eu a achar que depois da última Casa dos Segredos o nível era outro, afinal não, voltámos ao mesmo ...

Ler é como beijar




Esta imagem confesso que me deixa num impasse. Não sei se considere romântica ou porca... 

O amor é um fenómeno espontâneo

"O amor é um fenómeno espontâneo: sempre que acontece, acontece, e sempre que não acontece, não acontece. Não há nada a fazer sobre isso. Se você faz alguma coisa, vai criar um pseudofenómeno, uma representação."

in Inteligência - a resposta criativa ao agora (de Osho)

domingo, 4 de outubro de 2015

Não é para ter um orgasmo que te seduzo.



"Por vezes masturbo-me, toco-me como quero e satisfaço a necessidade dessa explosão química no meu corpo. Mas seduzir-te, fazer-te vir uma vontade sexual de mim, satisfaz outras necessidades não menos atávicas.
A necessidade de caçar, de ser caçada, de dominar o teu desejo usando os meus atributos de mulher, as curvas, as formas, a pele, o toque, de te fazer querer-me como se fosse a carne que caças para comer e comes como se fosse um troféu. Não é pelo orgasmo que te seduzo, é pela excitação de ser levada pela força das emoções para outra dimensão, é pelo poder que isso tem em mim."





Créditos não são meus. A autora: Marie, do blogue Casanova do Bairro Alto

Não adianta querer fazer falta, se nunca soube estar perto.

"Se sinto falta? Em nada. Eu sinto apenas carinho. Guardo com o devido respeito as lembranças do que foi bom. Porque, é claro, sempre pode ser bom. Mas apenas isso. O bom não necessariamente nos faz bem. É a grande diferença entre ser prazeroso e ser recíproco. Como as bombas de chocolate, por exemplo. São deliciosas. Mas não preenchem o nosso vazio. Por isso, não adianta enviar mensagens de madrugada, quando a sua ausência deixou de ser sentida. De nada adianta perguntar “saudades?”, quando nunca soube a diferença entre presença e comodismo. Não ame para ser lembrado. Ame para não ser esquecido. Pelo menos até o fim. Todos os segundos. Todos os dias. Em troca, exija o mesmo. Não aceite menos do que é capaz de entregar. Não aceite menos do que o espaço por você preenchido. Essa é a minha regra: vazio por vazio, eu prefiro o ar. É mais leve. Além de um óbvio motivo: sem ele, eu não vivo. "

Palavras de um Homem Que Sente

Eleições 2015

Estas eleições gostava que tirassem o Sócrates da prisão domiciliária só para eu poder votar nele. E só não acrescento "outra vez" porque há oito anos atrás não votei. Bem, nem há quatro... (Sim, eu sei, sou uma nódoa. Mas também nunca me ouviram a reclamar aqui do estado político do país...pois é)
Isto é tudo mesmo muito bonito mas, finais felizes só nas novelas e nos filmes da Disney. Se queres que uma coisa te seja favorável tens que fazer por ela, só tu, não o mundo inteiro. Porque mesmo que o mundo inteiro conspirasse a teu favor, se se quer uma coisa bem feita e se se deseja receber louvores por uma coisa bem feita, então terás que ser mesmo tu a fazê-la. E isto tudo porque a vida nunca pára, nem perdoa. Só quem perdoa somos nós a nós próprios. 
E voltando a relembrar: finais felizes, só nas novelas e nos filmes da Disney... 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Mudanças

Criei este blogue em 2011, altura em que terminei a minha licenciatura. Estive 3 anos na universidade e a minha falta de tempo para a escrita tornava completamente impossível manter um blogue. Saí com boas lembranças mas a atravessar uma fase que nem eu própria compreendi. Tinha a cabeça coberta de confusão e delírio. Decidi criar um blogue e aproveitar essa fase menos boa para partilhar com as pessoas os meus pensamentos. Agora, passados 4 anos, voltei a atravessar por outra fase igual. Não me arrependo de nada que passei, até agora, porque só através das marcas do tempo é que conseguimos aprender seja o que for e superar-nos a nós próprios, todos os dias. Passados este 4 anos volto a agarrar o blogue com a mesma força que o fiz nessa altura e hoje decidi actualizar o meu perfil e mostrar a cara.
Fale do que falar aqui no blogue, esta sou eu e vou continuar a ser sempre eu: a minha mentalidade foi e sempre será aberta, e venha quem vier não vou ser nunca uma pessoa igual às outras.
Passem e aproveitem ....